quinta-feira, 27 de abril de 2017

As pedras que não foram lançadas

Contra a adúltera estava ordenada a morte. Muitas pedras havia no chão, esperando para que o cumprimento da Lei fosse assegurado. Entretanto, quando os corações de pedra já se preparavam para lançar mão daquelas duras pedras, uma outra Pedra apareceu no seu caminho. E, neste confronto entre as pedras humanas e a Pedra divina, aquelas pedras no chão não puderam mais ser arremessadas contra a pecadora que não era pior do que aqueles que com elas desejavam aplicar-lhe a condenação.

Uma das pedras que naquele dia não pode ser lançada se chamava justiça própria. Aqueles que desejam apedrejar a mulher pega em adultério estavam certos de que tinham o direito de fazer aquilo, pois era o que ordenava a Lei. Ademais, eles mesmos se consideravam fiéis cumpridores dos mandamentos, o que supostamente lhes dava a prerrogativa de castigar quem não o fosse.

Outra pedra se chamava covardia. Era fácil para um bando de homens cercar uma pessoa e matá-la, ainda mais se tratando de uma mulher. E, se essa mulher tivesse cometido algum erro grave, isto seria mais fácil ainda, pois ela teria menos chance de se defender dos seus acusadores.

Mas, uma  terceira pedra, a maior e mais perigosa de todas, atendia pelo nome de hipocrisia. Ora, Jesus conhecia os corações daqueles homens que ali estavam. Ele bem sabia quantos deles já haviam adulterado em seus corações (talvez até desejando a mulher que ali estava) ou tinham outros pecados encobertos. Jesus conhecia com detalhes a história de cada um deles. Quantas mulheres já tinham sido repudiadas por eles sem motivos justos? Quanta injustiça contra os pobres, os órfãos e as viúvas eles já haviam cometido impunemente?

Porém, naquele dia, todas as pedras que estavam para ser lançadas se depararam com uma Rocha que, sem esforço algum, as reduziu a pó. Disse-lhes Jesus: "aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra" (João 8:7). Aquelas antigas pedras de condenação, desfeitas, caíram junto à poeira na qual Jesus escrevia com o dedo no chão. Num instante, a justiça própria, a covardia e a hipocrisia daqueles religiosos tornaram-se em nada.

A única pedra que Jesus "lançou" no coração daquela pecadora foi esta: "vai, e não peques mais" (João 8:11). Siga a sua vida, porém, abandone os seus pecados. Estava posto ali o alicerce da conversão mediante a compreensão do erro em que ela vivia e a consciência do amor que mesmo assim Deus teve por ela. Só lhe restou reconstruir a sua vida sobre este firme fundamento.